Economia na zona euro renasceu das cinzas. Será este o fim da recessão?

Indicadores mostram que a actividade industrial e manufactureira nos 17 países da moeda única entrou finalmente em zona de expansão

Pela primeira vez em dois anos, a indústria manufactureira na zona euro entrou ontem em zona de expansão, prevendo a tão desejada saída da recessão que tem vindo a dominar os países da moeda úni­ca desde 2008.

Tanto o índice dos serviços como o refe­rente à indústria manufactureira sofre­ram um aumento significativo, passan­do dos 48,3 e 48,8 registados no mês de Junho (respectivamente) para 49,6 e 50,1. O índice compósito (composto pelos dos serviços e da indústria manufactureira) atinge assim os 50,4, excedendo os 49,1 previstos o mês passado por um conjun­to de 39 analistas da Bloomberg.

ÍNDICE PMl O índice de gestores de com­pras (Purchasing Managers’ Indexes – PMI) é baseado numa sondagem elabo­rada pela Markit, uma agência econó­mica sedeada em Londres, que analisa milhares de empresas dos 17 países da moeda única com o objectivo de sondar o seu crescimento.

O PMI é tido como um indicador fiável de crescimento económico e os pontos a que o índice se refere são equivalentes a pontos percentuais, uma vez que é cal­culado através da percentagem de res­postas positivas e negativas das várias empresas.

Como uma leitura do índice acima dos 50 pontos marca a fronteira entre a recessão e o crescimento, é pon­to assente que a economia está fora da recessão. Resta saber se os indicadores se mantêm positivos nos próximos meses.

Crescimento “Hoje a surpreendente subida dos indicadores PMI suporta cla­ramente a noção de que a economia da zona euro está a deixar a recessão para trás”, explica Martin Van Vliet, economis­ta do Banco ING de Amesterdão, que con­sidera “o estímulo monetário do Banco Central Europeu (BCE), a retoma da eco­nomia mundial mais cedo que o espera­do e um abrandamento da austeridade fiscal” as principais causas do fim da con­tracção económica europeia.

A economia da zona euro estava em contracção há seis trimestres, antes de estagnar no início do mês passado. Ago­ra, segundo os analistas da Bloomberg, espera-se que a tendência de crescimen­to continue e acabe por conduzir a uma diminuição da taxa de desemprego no final do ano.

Em Maio deste ano, a produ­ção industrial da zona euro registou uma queda de 0,3% devido a quedas das duas maiores economias, a Alemanha e a Fran­ça. Agora são as mesmas potências as causadores de uma inversão na tendên­cia, com a Alemanha a entrar em território de expansão pela primeira vez desde Fevereiro e o índice manufactureiro francês a passar dos 48,4 para os 49,8.

O BCE já tinha previsto um crescimento gradual quando, numa declaração o mês passado, Mário Draghi defendeu que um crescimento nas exportações da zona euro “beneficiaria de uma recupe­ração gradual da procura global”.

Para Portugal, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, mostrou-se ontem “convencido de que o país deve­rá regressar ao mercado em 2014”, num cenário “sem acidentes políticos”. Como novo ministro da Economia, caberá a António Pires de Lima a tarefa de acom­panhar os “sinais positivos” que o levam a acreditar que o próximo trimestre será “o primeiro, após 10 trimestres de recuo”, a revelar um regresso ao crescimento.

2013-07-25 09:31
Duarte Garrido, logo_i

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